Estamos pertinho da época das festas de fim de ano, e muitas famílias estão se organizando para fazer a tão famosa Ceia de Natal. Independente da religião, tornou-se uma tradição em todo o mundo e principalmente no Brasil, aproveitar a data que os Cristãos comemoram o nascimento de Cristo para confraternizar e fazer pratos diferenciados.

Mas engana-se quem pensa que a tradição de fazer a Ceia começou exclusivamente por conta da data religiosa. Segundo estudiosos, a Ceia tem origem no antigo costume dos europeus de abrirem as portas de suas casas no dia de Natal e assim, receber peregrinos e viajantes. Desse modo, todos confraternizavam e dividiam os alimentos.

Essa tradição foi correndo o mundo, e hoje em dia, em alguns pontos do globo há dietas específicas, como é o caso do peru que começou na ceia norte-americana e hoje é um dos pratos principais aqui no Brasil também.

Mistura Brasileira

Antes de incorporarmos a tradição de consumir peru na Ceia, era muito comum fazer pratos com bacalhau, uma herança dos nossos colonizadores portugueses. Além disso, a característica maior da Ceia de Natal é incluir alimentos que são pouco consumidos em todo o ano, por serem exóticos, ou mais caros. Ou seja, a Ceia também se tornou um momento de prosperidade.

Muitas famílias também aproveitam para consumir outros tipos de carnes como o leitão ou cordeiro. Outros ainda preferem as tradicionais carnes de frango e gado bovino.

Receitas que envolvem recheios diferentes, fazem a cabeça do brasileiro que muitas vezes não encontra peru e bacalhau a um bom preço, ou que não possui espaço para fazer um leitão assado. Ou ainda, apenas quer incrementar as receitas.

E aos que possuem descendência italiana e gostam de incluir pratos com massas, é muito comum optar por lasanhas, massas recheadas como canelone, rondelli, conchiglione e outros tipos de massas secas, como o espaguete.

Panetone X Chocotone

O famoso panetone foi criado por um padeiro no ano de 1400, em Milão, é o tipo de pão doce que divide opiniões. Ou se ama ou se odeia, principalmente por conta das frutas cristalizadas e a uva passa que contém na receita original.

Aqui no Brasil é possível encontrar uma grande variedade de panetones, como o chocotone. Além de recheios variados como o doce de leite e o sorvete. Ou seja, nós sempre damos um jeito de deixar tudo com a misturinha brasileira.

Frutas secas, in natura e cristalizadas 

Frutas secas? Culpa dos Romanos! Eles tinham o hábito de consumir castanhas, frutas secas e avelãs. Essas últimas tinham como função evitar a fome, as nozes tinham a ver com abundância e prosperidade. Por isso é tão comum consumi-las no Natal e também na virada do ano. Afinal, todo mundo espera um ano melhor que o anterior, não é mesmo?

É comum também encontrar as frutas in natura, como melancia, abacaxi e principalmente cereja. Essa frutinha asiática é sempre uma das mais utilizadas como um símbolo natalino e aqui no Brasil é encontrada com mais facilidade na época das festas de fim de ano.

Uva passa no arroz, pode?

Um dos grandes itens de desavença nas famílias brasileiras nas festas natalinas, a uva passa, é uma forte tradição natalina que tem origens distantes.

Os hebreus, mesopotâmicos, árabes, gregos e romanos já utilizam as uvas passas nas suas refeições. Era símbolo de prosperidade. As passas já eram comuns em assados nas receitas dos egípcios e se tornou ingrediente essencial para o nosso arroz à grega.

 

E maionese com maçã?

A maçã na maionese é frequentemente encontrada em receitas alemãs, e desde então, incluída também na ceia de Natal. O doce misturado com o salgado traz uma sensação diferente, e até aqueles que não são fãs de agridoces, aproveitam a ocasião para saborear algo que é fora do comum no nosso dia a dia.

Claro que nem todo mundo gosta, tanto é que há um forte movimento na internet, especificamente nas redes sociais de times contra e a favor na inclusão das frutas em pratos salgados.

Agora, vamos para as tão esperadas sobremesas natalinas!

Rabanada, de onde vem?

A rabanada também foi inserida pelos portugueses em nossa cultura. A receita original contém o pão adormecido, que é mergulhado no leite e em ovos batidos. O pão é frito e finalizado com açúcar e canela.

Porém, outros ingredientes podem ser adicionados como o chocolate, doce de leite, coco, entre outros.

Porém, a receita original contém o pão adormecido, que é mergulhado no leite e no ovo batido. O pão é frito e depois passado em açúcar com canela.

 

E o pavê, é para comer mesmo?

Esse doce totalmente brasileiro, é forte candidato ao queridinho das ceias de Natal. E os dois maiores motivos são: a facilidade de encontrar os ingredientes que possuem baixo custo, e a possibilidade de adaptações da receita original.

Um doce formado por camadas que se alternam entre cremes doces, bolachas ou biscoitos, bolos, sorvetes e até chocolate. O pavê tradicional é aquele com creme branco e a famosa bolacha ‘Maria’.

Porém, as adaptações não possuem fim. É possível alterar o creme para o sabor chocolate, incluir bolo pronto ao invés de bolachas. Há receitas com biscoitos de maisena e também com camadas de sorvete.

A receita com bombons também é muito bem aceita, ou seja, são inúmeras possibilidades que agradam todo o tipo de paladar para doces. E claro, a piadinha que inclui a iguaria deixa o Natal sempre com o jeitinho de família.

 

Natal é compartilhar, é amor

Porém, não podemos nos esquecer que essa data ainda deve se manter como um momento de compartilhar e de estar ao lado de nossos queridos amigos e familiares. É possível fazer uma mesa farta com amor, respeito e compreensão.

O famoso arroz com feijão, um frango assado com farofa, com uma sobremesa como um biscoito ou uma fruta farão da Ceia o mesmo marco de amor e de confraternização.

O principal é entender que a data, seja ela encarada como uma festividade religiosa ou não, é uma oportunidade de se conectar com aqueles que gostamos e convivemos. Também é a possibilidade de deixar desavenças de lado e compartilhar momentos e alimentos.